Artigo

Os games de 2015

Dos meus cinco jogos destacados, dois são quase trapaças, mais ou menos, sqn. Também nas minhas menções, há um jogo que na verdade saiu ano passado mas recebeu um port esse ano, então whatevs. ¯\_(ツ)_/¯

O mesmo disclaimer usual: não joguei todos os games lançados em 2015 (e sim, escapei da tríade Witcher 3, Metal Gear Solid V e Fallout 4) e estou lentamente avançando na minha backlog. Pode ser que eu altere esta lista no futuro. Também tenho uma lista dos meus preferidos de 2014 e de 2013.

PATHOLOGIC CLASSIC HD

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Sim, eu ainda preciso escrever exclusivamente sobre este game, e este texto está saindo. Mas até lá…

Pathologic não é um game bonito, nem muito fácil ou amigável. Na verdade, ele não está nem aí se você entendeu o objetivo, ou se você vai ter tempo de fazer tudo o que tem para fazer ou se você vai sobreviver. E é por tudo isso e mais que eu aaaamo esse jogo.

Em resumo, você é um dos três personagens médicos: Bachelor, um doutor aprendido da cidade; Haruspex, espécie de xamã tradicional com experiência em cirurgia; e Changeling, uma estranha garota com possíveis poderes de cura. Ao escolher um deles, os outros dois ainda habitam o game, às vezes indiretamente te ajudando mas muito provavelmente indo contra os seus esforços. Isso não quer dizer que eles são necessariamente os seus antagonistas; cada um dos personagens, não só os controláveis mas também as outras dezenas de pessoas importantes, têm suas próprias motivações e objetivos. E nem sempre eles se alinham aos seus.

O personagem principal é a Cidade no meio da estepe onde o game se passa: um lugar atrasado, feio e profundamente estranho. O jogo é um open world em que você deve lidar com as dezenas de personagens, juntar os pedaços e os diferentes pontos de vista a fim de entender o que está acontecendo e sobreviver em meio a eclosão de uma praga que devasta a cidade. Cada personagem tem uma storyline e uma conclusão muito diferente, e é por isso que vale a pena terminar o jogo com os três personagens para compreender a história completa (este é o motivo do meu tempo de jogo ser tão absurdo).

Quero guardar os meus comentários para o artigo então só direi que eu apesar do cansaço e da dificuldade em jogar este game, eu amei cada história e cada personagem. Pathologic está automaticamente dentro da minha lista dos meus games preferidos de todos os tempos.

E falando nisso…

(MEU) TEMPO DE JOGO 79 horas.

Ice-Pick Lodge, 2015.
Site oficial | Steam (R$25,99)

THE LEGEND OF ZELDA: MAJORA’S MASK 3D

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Majora’s Mask não só é meu Zelda preferido como foi o meu game preferido de todos os tempos por muito tempo, e ainda talvez seja. Creio que um dia escreverei com mais detalhes sobre este jogo. Até lá, vou me focar um pouco mais no remake nos meus comentários.

Majora’s Mask sempre foi a ovelha negra da família Zelda, e muito injustamente na minha opinião. A origem deste game hoje em dia é muito famosa: o desafio era criar um Zelda em um ano, logo após o sucesso estrondoso de Ocarina of Time. No final, foi preciso um pouco mais de tempo, mas o que é mais interessante para mim é como as inúmeras restrições abriram caminho para um dos games mais inovadores da série principal.

MM não era particularmente amigável já na época, então para o remake os criadores não tiveram muito pudor em mexer não só no visual como nas diversas das mecânicas do jogo. A repaginada no visual tornou o mundo inteiro mais vibrante e distinto, mas não menos ameaçador. O game é genuinamento bonito, e acho que foi o aspecto mais bem-sucedido do remake.

Já a adição de um Bomber’s Notebook de fato útil veio com boas intenções, mas acho que eles pesaram muito na mão e tornou algumas das quests a) fáceis demais e b) irritantes com as mensagens, e a inserção de alguns personagens no caderno que serviriam melhor para serem descobertos por acaso pelo jogador. Mas o aspecto que menos gosto do remake como um todo foi a mexida liberal que fizeram nos chefes. Basicamente, todos ganharam um ponto fraco óbvio [for massive damage]; seria ok se fosse apenas com o Gyorg, que de fato é um dos inimigos mais difíceis e frustrantes da série, mas a luta contra o Twinmold virou uma encheção de linguiça muito aborrecida.

Acabei falando mais dos pontos negativos, mas este jogo não estaria na minha lista se eu não o adorasse. Ainda prefiro o original por um fio de cabelo mas, sinceramente, isso é porque sou fã. Nada bate os ótimos controles do 3DS, os visuais muito mais bonitos e um design ligeiramente mais amigável para um principante.

Se você ignorou o Majora’s Mask no N64, faça o favor a si mesmo de não cometer o mesmo erro duas vezes.

(MEU) TEMPO DE JOGO 28 horas.

Grezzo, Nintendo Entertainment Analysis & Development, 2015.
Site oficial

SPLATOON

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Se alguém me dissesse no passado que um dos meus jogos preferidos do ano seria um shooter multiplayer online eu daria risada. Eu detesto jogar online com desconhecidos e detesto shooters. Mas Splatoon é um game tão inovador, criativo, cheio de charme e simplesmente divertido que não tive como resistir.

Splatoon é muito redondo, fruto de uma visão extremamente acurada entre todos os departamentos responsáveis pelo game. Tudo neste jogo, da estética, a excelente trilha sonora até as mecânicas são tão alinhadas e bem-resolvidas entre si que quase não parece ser um IP completamente novo da Nintendo, de todas as empresas.

Pelamor, ouça esta faixa e me diga que não é a coisa mais surreal e diferente numa trilha sonora de 2015, ainda mais de um video game:

Em Splatoon, dois times de 4 jogadores batalham para pintar o máximo de chão com a cor da sua equipe até o final do tempo. O foco da jogatina está em cobrir o máximo de território com sua arma principal e auxiliares (que não precisam necessariamente ser armas: existem variedades de pincéis e até mesmo baldes), mas também é importante eliminar os seus oponentes, pois os segundos até eles reviverem no início do level podem dar uma vantagem sem preço para os seus companheiros. Aliás: eu mencionei que os personagens neste jogo são uma espécie de híbridos entre pessoas e lulas? na jogatina normal de atirar e correr, você usa a “forma humana”. Mas após você e seus companheiros pintarem o chão com a cor do seu time, você pode automaticamente se transformar na versão lula e “nadar” na tinta para atravessar a arena muito mais rapidamente. A tinta inimiga tem o efeito contrário, e você pode morrer e voltar ao início da sua base se não tomar cuidado. Este é o modo principal de batalha em Splatoon, mas existem outros tipos de jogo também, como por exemplo uma variação divertida e tensa de captura de bandeira, em que você deve guardar uma plataforma flutuante que se move automaticamente na direção da base de quem a toma, mas a deixa vulnerável ao jogadores do time oposto, e controle de área, em que áreas específicas do mapa devem ser capturadas e mantidas por determinado tempo.

Desde o lançamento, Splatoon teve um suporte excelente, e os jogadores ganharam mapas, equipamentos, armas, modos de jogo e eventos gratuitos regularmente ao longo do ano inteiro. O single player também é super divertido e o útimo chefe foi um dos momentos mais memoráveis do ano em games para mim. No final, Splatoon é uma experiência verdadeiramente única, que você não encontrará igual em nenhum outro game. De todos os jogos da minha lista, este é um que quero muito voltar a jogar e que acho que não joguei o suficiente ainda!

E por falar em experiências singulares…

(MEU) TEMPO DE JOGO 33 horas.

Nintendo, Nintendo Entertainment Analysis & Development, 2015.
Site oficial

HER STORY

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Uau.

Este é um jogo que te dá vontade de ser um detetive, e que tanto a estrutura como a história permitem discussões e análises infinitas.

O jogo se passa em um desktop de um computador antigo, tipo um Win95 para baixo. Você tem acesso à database de entrevistas em vídeo relacionadas a um caso, mas o arquivo foi corrompido e agora só pode ser acessado por meio de buscas usando palavras-chave. Apenas os cinco primeiros resultados são mostrados, embora o total de hits seja disponibilizado. A primeira busca, usando a palavra “murder”, assassinato, já está aberta e contém alguns resultados inéditos. A trama se desenrola a partir daí.

A ‘pegadinha’ é que os vídeos contém apenas as respostas da entrevistada; como as perguntas dos policiais não foram documentadas, você de certa forma tenta antecipar as perguntas para achar as respostas. E a partir das respostas, você tem novas ideias de palavras-chave e assim por diante.

Eu de fato peguei um caderno para fazer minhas próprias anotações e ideias de palavras para buscar. Foi uma experiência única e muito interessante. Achei o formato tão divertido que gostaria de ver o conceito ser aplicado em outros games, apesar de que Her Story é tão bem feito até em seu uso de FMV que acho difícil que alguém tente repetir a mesma ideia.

(MEU) TEMPO DE JOGO 4 horas.

Sam Barlow, 2015.
Site oficial | Steam (R$11,99)

STORY OF SEASONS

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Em um ano com tantos lançamentos bombásticos, fecharei esta lista com um título pacato e simpático. Não é um game que me deixou um grande impressão, mas achei injusto ignorá-lo nesta lista considerando a quantidade de horas que despejei nele: 152 horas.

Story of Seasons é o novo game do mesmo estúdio responsável pela série Harvest Moon. Por questões complicadas de copyright, eles não podem mais usar o nome Harvest Moon, cujos direitos pertencem à Natsume (que criou o título em inglês e fazia as localizações até então). Então para o ocidente é quase um reboot com um novo nome mas, essencialmente, trata-se de mais um novo game da série. Detalhe: um novo jogo chamado Harvest Moon: The Lost Valley também saiu no mesmo ano, mas de total iniciativa da Natsume e sem qualquer envolvimento do estúdio original. Como eu disse, complexo…

Todos os games da série possuem a mesma premissa básica: você é um homem ou mulher da cidade que decide se mudar para o interior e cuidar de uma fazenda. Em HM, você administra dois principais elementos: primeiro, a fazenda em si, incluindo uma enorme variedade de tipos de plantações, animais para cuidar e outros materiais a serem produzidos para venda a partir destas matérias-primas. Em segundo lugar, os seus relacionamentos no vilarejo com o restante dos habitantes locais. Além de fazer amizades, você pode se casar (até o momento restrito apenas a pessoas do seu sexo oposto) e ter filhos. O jogo se passa dia a dia (mas não em tempo real) em um ano de quatro meses, cada um representando uma estação. Evidentemente, você tem diferentes eventos, festivais e opções de colheita de acordo com a época em questão.

Gosto bastante de simulações de vida, então sempre gostei da série. Joguei HM para SNES e o Harvest Moon 64, mas o título que me fisgou completamente foi o Harvest Moon: More Friends from Mineral Town para GBA. Nem sei dizer quantas centenas de horas devo ter jogado, há mais de uma década atrás (!).

Story of Seasons é o primeiro HM “moderno” que joguei desde então, mas os velhos hábitos de otimizar as plantações e os relacionamentos ainda estão no meu DNA. Engraçado que na superfície, os games da série são tidos como casuais, mas para os fãs que acompanham HM há algum tempo sabem que tem todo um metagame chegando a envolver planilhas, cronogramas e inúmeras anotações estratégicas. Sim, há como fazer minmax com Harvest Moon e esse foi meu estilo de jogatina em Story of Seasons. Meio ridículo, eu sei.

De qualquer forma, é mais do mesmo, então se você simpatiza com HM ou se tem interesse neste tipo de jogo e nunca jogou um, eu recomendo.

(MEU) TEMPO DE JOGO 152 horas.

Marvelous, 2014.
Site oficial

MENÇÕES HONROSAS


80 Days – Narrativas muito bem escritas e interessantes. Você é o valet de um inglês excêntrico que deve viajar o mundo em 80 dias por conta de uma aposta… em um mundo steampunk. Gosto tanto que tenho no celular e no PC.
Super Mario Maker – Uma experiência única, tanto como criadora de levels como jogadora e espectadora.
Life is Strange – Narrativa point and click interessante e emocional. Não que signifique muito, mas confesso que deixei cair uma lágrima solitária no último capítulo.
Hexcells Infinite – A série Hexcells é excelente e esta versão, como o nome indica, possui um gerador de puzzles praticamente infinito. Muito desafiador, mas tremendamente instigante.
Invisible Inc. – O jogo de estratégia do ano. Visual e personagens cools, e um game design de nuances sensacional.
Undertale – A trilha sonora é incrível. As mecânicas são um tanto repetitivas mas os personagens e o universo são tão insanos que fazem valer a pena vivenciar este game.
Dropsy – Point and click extremamente tradicional, mas ainda divertido e, apesar de tudo, muito positivo.

Artigo

Os games de 2014

Um ano de atraso neste blog não é nada de novo; agora que eu deveria estar preparando minha lista de games de 2015 [e estou] foi quando consegui fechar a lista dos games de 2014. Primeiro que o ano passado foi um pouco contraditório em termos de video games para mim: ao mesmo tempo joguei menos e mais, voltei atrás, mas também acompanhei os mais novos lançamentos.

O disclaimer usual ainda serve: esta lista está muito longe de contemplar todos os lançamentos do ano. Minha backlog deu uma pequena acalmada mas ainda tenho muitos games de 2014 para terminar.

Também decidi aguardar a finalização de games lançados por capítulos para jogá-los de uma vez só, pois está cada vez mais difícil aguardar entre um lançamento e outro. A única exceção foi o Kentucky Route Zero, porque tenho zero autocontrole.

Os games listados não estão em ordem. Como fiz com Os games de 2013, pode ser que eu atualize este post no futuro.

KENTUCKY ROUTE ZERO: ACT 3

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Ano passado, listei os dois primeiros atos deste game nas minhas menções honrosas. O Ato III para mim superou todas as expectativas e conteve o meu momento preferido do ano em um video game. KRZ é um game que mistura com muita elegância alguns dos meus elementos preferidos do cinema, da literatura e agora da música também. A trilha sonora do Ben Babbitt sempre foi excepcional, mas foi o Ato III que me fez finalmente adquiri-la. Para mim, este episódio de algumas poucas horas foi uma experiência muito melhor e muito mais interessante do que games com o dobro ou mesmo o triplo de horas.

KRZ é um jogo point e click de exploração e diálogo; é um jogo com uma visão tão forte e confiante que é difícil não se deixar levar pela atmosfera, pelo texto e pelo ambiente. Kentucky Route Zero é genuinamente surpreendente e tocante, e é um daqueles games que você deve mergulhar de uma só vez. E mesmo tendo começado de forma excelente, cada novo capítulo ainda consegue superar o anterior.

(MEU) TEMPO DE JOGO 4 horas.

Cardboard Computer, 2014 (PC).
Site oficial | Steam (R$45,99) [5 atos]

DRAGON AGE INQUISITION

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Há muito o que criticar em Inquisition, mas a verdade é que a Bioware é a Bioware, e eu sou uma pessoa fraca e não consegui me manter impassível diante do hype. DA:I é realmente um feito incrível. Consumi muito este jogo e no final, confesso que acabei me cansando um pouco dele. O tempo passado em Thedas, porém, não foi um desperdício e muito menos um martírio.

E que diferença faz o dinheiro e o tempo, mesmo dentro de um ambiente triple A. É risível tentar comparar este game com o seu predecessor, Dragon Age 2, e me parece que o processo de evolução de um título para o outro foi: vamos pegar todo o feedback de DA2, aplicar quantidades generosas de tempo e dinheiro em todas as críticas recebidas e voilá. Isso acontece para o bem e para o mal, na minha opinião. Ao passo que a primeira das regiões exploráveis do game, a infame Hinterlands, é maior do que todos os mapas de DA2 combinados, também temos uma volta à trama e ao vilão-mór previsível, o que não me surpreende muito. Fora isso, espere ver uma infinidade de ícones preenchendo o seu mapa no melhor modelo de open worlds da Ubisoft [eh]. As sidequests em geral não têm qualquer consequência ou importância e se decidir preenchê-las espere perder muito tempo escalando montanhas atrás de cacarecos e penduricalhos inúteis. Isso é amenizado pela presença agradável de seus companheiros que agora têm horas e mais horas de banter entre si.

No final das contas, para cada um dos problemas há um contraponto que não necessariamente o justifica, mas alivia a irritação. Pessoalmente para mim, o motivo para se jogar games da Bioware são os personagens e nisso DAI não só não decepciona como nos entrega alguns dos mais memoráveis da série até então. Gente como os novatos Dorian, Cole, Iron Bull e os veteranos Varric e Cassandra acompanham as desventuras do Inquisitor. E se você importou os dados de DA2, vivenciou um dos momentos mais bacanas do jogo, quando Hawke [o player character de DA2] entra em cena e trabalha junto com a Inquisição.

O design visual é incrível, e um dos melhores da Bioware até então. Além de cada gigantesca área ter um look bastante característico, este game dá adeus definitivo à paleta verde, marrom e cinza de DA: O e à repetição infinita de áreas de DA2. E sem entrar no mérito da funcionalidade [que nem sempre é perfeita], a UI do jogo também é muito bonita; o destaque fica para as inúmeras cartas de tarô que não só ilustram a lore e outros elementos do tipo como também representam os personagens principais e vão evoluindo conforme a progressão de cada um deles na história.

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(MEU) TEMPO DE JOGO 107 horas. (+DLC)

Bioware, 2014 (versão PC).
Site oficial | Origin (R$79,90)

THIS WAR OF MINE

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Eu só joguei este game uma vez e desde então não senti muita vontade de voltar atrás. Isso pode ser interpretado como um problema, mas para mim está longe de ser algo negativo: a experiência da minha primeira jogatina ainda permanece comigo depois de todo este tempo.

Tudo a respeito de This War of Mine parece soar como um game cansativo e aborrecido, mas as mecânicas são simplesmente divertidas. Você controla um certo número de pessoas e deve cuidar da sua sobrevivência em meio a uma cidade tomada por um conflito inspirado no Cerco de Sarajevo. Nestes termos, há um quê de Pathologic, se o motivador fosse a guerra e não uma epidemia. E apesar da atmosfera e das situações presenciadas ao logo do game serem extremamente deprimentes, a jogatina em si é muito focada nestas mecânicas de sobrevivência. Os personagens devem vasculhar por comida e materiais para melhorarem a sua casa e se protegerem contra o frio, a doença e possíveis invasores. Os personagens podem morrer e novos sobreviventes podem se juntar ao grupo. Cada um possui atributos e habilidades especiais, e uma pequena biografia. É difícil não se conectar com as narrativas dessas personagens.

O objetivo é sobreviver ao longo do cerco, que dura cerca de um mês e alguns dias, e não é fácil. Nos últimos dias da minha jogatina, apenas uma personagem restou do grupo inteiro. O jogo se arrastou por ainda mais dias e ela faleceu pela simples falta de recursos e pela depressão de ter visto todos os seus companheiros morrerem na sua frente. Um dia ainda retornarei a este jogo, mas por ora esta simples experiência já me valeu muito.

(MEU) TEMPO DE JOGO 7 horas.

11 Bit Studios, 2014 (versão PC).
Site oficial | Steam (R$36,99)

CAPTAIN TOAD: TREASURE TRACKER

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Cativante e muito divertido. Este game foi um dos principais motivos de eu ter adquirido um Wii U, decisão da qual não me arrependo nem um pouco. Captain Toad é uma espécie de continuação dos mini games do mesmo personagem de Super Mario World 3D. Basicamente, você controla o Captain Toad e a Toadette em pequeno mundos 3D que podem ser rotacionados, quase como uma miniatura. A variedade é impressionante, e em termos de game design, Captain Toad é um game extremamente bem feito. Sim, a dificuldade não é lá essas coisas, mas acho que isso faz parte do charme deste jogo: ele é perfeitamente agradável, e ótimo para se jogar uns três levels, voltar num mundo anterior para terminar de coletar os diamantes e voltar no dia seguinte.

Para mim a apresentação é irresistível e tudo neste jogo é simplesmente adorável. Dá vontade de morder!

(MEU) TEMPO DE JOGO 11 horas.

1-UP Studio, Nintendo Entertainment Analysis & Development, Nintendo EAD Tokyo, 2014 (WiiU).
Site oficial

MARIO KART 8

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Que jogo sensacional. Não há muito o que falar sobre a experiência Mario Kart, que praticamente todo mundo já conhece. Mas as novidades nesta nova iteração tornam MK8 a experiência de corrida MK definitiva.*

Primeiramente, o visual é incrível. Agora há uma mecânica de zero gravidade que permite que os carros subam paredes, corram abaixo d’água e dirijam de cabeça para baixo, o que permite uma criatividade absurda na construção das pistas. Existem vários momentos empolgantes graças a estes inúmeros detalhes visuais e também à trilha sonora, que é muito boa. Por exemplo: em Shy Guy Falls, quando você sobe uma cachoeira [!] e os Shy Guys acompanham a corrida nas rochas ao redor da água; quando você emerge da água em Dolphin Shoals e o saxofone entra com tudo na música de fundo; a Mount Wario inteira, que é composta por uma única trilha, sem voltas; a terceira volta em Sunshine Airport quando você desce de um pulo e um avião decola logo acima de você…

Por fim, os dois pacotes de DLC lançados são um ótimo valor pelo conteúdo e servem como precedentes otimistas de como a Nintendo lidará com DLCs em seus jogos futuros. Para mim, são compras essenciais para quem tem o jogo.

E além de tudo, ele contém um dos melhores momentos em um game do ano:

* o maior dos defeitos de MK8 é sem dúvida o Battle Mode, que não contém pistas exclusivas para batalha. Eu normalmente não jogo no BM, mas é decepcionante que um game tão atento para o detalhe ter ignorado este modo.

(MEU) TEMPO DE JOGO 37 horas.

1-UP Studio, Nintendo Entertainment Analysis & Development, 2014 (WiiU).
Site oficial

Menções Honrosas


Super Smash Bros. (WiiU) — O que dizer de Smash? É um game que pode ser jogado infinitamente e é obrigatório em jogatinas de local multiplayer.
Professor Layton vs. Phoenix Wright: Ace Attorney — Uma experiência divertida para fãs das duas séries.
The Yawhg — Ilustrações lindas. Você controla quatro personagens diferentes e deve controlá-los ao longo dos dias que antecedem a grande tragédia que irá assolar a cidade. Uma experiência cativante.
Transistor — Visual e som incríveis. O jogo em si é conciso, e digo isso como elogio, mas o fator replay é maior com a quantidade de desafios que você pode tomar.
Monument Valley — Divertido e tranquilizante. Os puzzles são bem simples, mas a atmosfera e o visual fazem valer a pena.
The Wolf Among Us – Ano passado também foi uma menção honrosa. Uma experiência que me pareceu completa, e o melhor game da Telltale até o momento além da primeira temporada do TWD.
Threes! – Digo isso como uma pessoa que também ocasionalmente joga 2048: Threes! não só é o original, como é muito, muito melhor.