Nota

O outro Metroid

Terminei oficialmente o Metroid Fusion depois de mais de uma década de delongas (momento de sentir a velhice fluindo nas veias); demorei tanto talvez porque o início é bem morno e deliberado, e você não tem tanta liberdade para explorar e se perder pelas telas.

De qualquer forma, o Zero Mission ainda é meu preferido, mas não me decepcionei com o Fusion: ele tem alguns dos chefes mais difíceis da série que já vi, eu estendi as mãos e dei graças aos céus pois no Virtual Console dá para salvar em qualquer lugar. E eu nem sou velha de verdade, mas fazia tempo que não jogava algo que dependesse tanto da habilidade mecânica, e depois de tantos anos jogando no PC, eu realmente não estava muito acostumada com um controle digital na mão.

Eu gostei dos interlúdios e do toque a mais de história, que na verdade explica de forma mais ou menos decente o porquê de Samus receber seus poderes em certo momento e o que os chefes fazem por lá. Eu aaaamo a exploração solitária dos outros Metroids da vida, mas não desgostei do Adam neste jogo, pois suas aparições são sempre compartimentadas e destacadas da jogatina em si. Ele não atrapalha você, e interfere apenas em momentos específicos sem se envolver diretamente com a ação — na maioria das vezes, em uma transição entre um novo ambiente e o save point, por exemplo, e sempre na sala de navegação. Os momentos de introspecção de Samus também são contidos em geral nos elevadores, tipo o que Mass Effect fez para esconder os loadings.

É interessante ver uma outra personalidade envolvida e eu gostaria de ver uma continuação para o Fusion no futuro. Metroid Dread? À essa altura, provavelmente no mesmo dia que Half-Life 3 for lançado, junto com a remasterização do Majora’s Mask.

Adam me pareceu uma figura interessante justamente por sua transição de computador genérico a ajudante… leal? Tava na cara que ia rolar uma reviravolta incluindo ele, mas o fato dele não ter uma forma corpórea própria ainda faz com que Samus mantenha sua imagem solitária. Não importa o quê, ainda é ela quem vai ter que resolver as coisas quando tudo dá errado.

Samus: Abra a escotilha!
Computador: Recebi ordens para confiná-la até que as naves cheguem.
Samus: Não deixe que façam isso. Você não vê o que vai acontecer, Adam?
Computador: … Adam?
Samus: ………
Computador: … quem é Adam?
Samus: … um amigo meu.
Computador: E o que este… amigo te aconselharia neste momento?
Samus: Ele entenderia que a única maneira de acabar com tudo é iniciar o ciclo de autodestruição. Ele compreenderia a importância disso…
Computador: E este “Adam” ao menos se importava com você? Ele se sentava em segurança numa Sala de Comando e te mandava morrer?
Samus: Ele entenderia que alguns devem viver e outros morrer… ele sabia a importância disso. Ele já fez este sacrifício uma vez.
Computador: Então, Adam escolheu a sua vida sobre a dele? Nossa bela guerreira, Samus Aran… O seu Adam sacrificou a própria vida para que você mantivesse a sua… pelo bem do universo…
Samus: ………
Computador: Quanta tolice.
Samus: Como se atreve! Como você poderia compreender, máquina?
Computador: Você sabe que detonar esta estação em órbita não garantiria a total extinção dos parasitas X, ainda que a estação seja completamente destruída no processo… você apenas sucederia em aproximar a galáxia da total perdição… e com isso, quero dizer, ao destruir também a si mesma de tal forma. Mas mesmo assim você é capaz de ignorar este simples fato e prefere escolher a morte. Quando o Adam decidiu quem deveria viver, ele escolheu incorretamente.
Samus: …!
Adam: … se você alterasse a órbita da estação, então poderia incluir o planeta inteiro na área de vaporização do processo de autodestruição.
Samus: …?
Adam: Você deve começar a sequência de propulsão agora. Antes que a Federação chegue. Samus, esta é sua última missão. Vá até a Sala de Operações e ajuste a órbita da estação para interceptar o planeta SR388. Depois, volte à sua nave e fuja. Mova rapidamente, e fique viva. Isto é uma ordem! Alguma objeção, Senhorita?

No mesmo dia em que o terminei, comecei o Other M, completamente ciente de todos os dramas e reclamações que o jogo recebeu. Não gosto de criticar sem saber e Metroid é Metroid, então eu de qualquer forma iria ter que jogar esse jogo algum dia.

Vixe. Talvez por ter seguido diretamente do Fusion depois de algumas horas, o choque foi ainda maior. As cutscenes deram um pouco de vergonha alheia, e olha que estou bem no começo. Tenho a impressão de que se a história não fosse tão forçada pra cima do jogador, acho que o jogo seria um pouco mais bem aceito, pois a maior parte das críticas cai sobre este aspecto.

Eu espero que ele seja mais difícil também, pois até onde estou, é risível o fato de você poder recarregar seus mísseis quando quiser e o save point automaticamente recarregar sua energia. A jogabilidade é interessante, e com o tempo trocar a perspectiva fica realmente mais natural. Ainda assim, o estilo hibrído não me convenceu.

Artigo

Kickstarter: Pathologic (Мор.Утопия)

Tradução rapidona minha da página do Kickstarter de Pathologic. Sugiro que visitem a página original para ver as imagens e as recompensas, pois aqui reproduzi apenas o texto.

*cataploft*

12 dias em uma cidade devorada pela praga. Ela é um inimigo que você não pode matar. Este é um jogo em que você não pode salvar todos.

Pathologic é um game de aventura open-world focado na sua trama e na sobrevivência, para PC/Mac/Linux, PS4 e Xbox One.

Continuar o post

Artigo

Trucidando Pathologic, Parte 3

Se você já ouviu falar em Pathologic, provavelmente leu a série de artigos sobre o game no Rock Paper Shotgun escritos por Quintin Smith. Se não, este é o melhor texto online a respeito do game e é um dos melhores artigos já publicados no RPS, ponto final.

Publico abaixo minha tradução corrida do texto original, que é dividido em três partes. A última parte contém spoilers mais específicos da história, então fica o aviso, caso não queira prosseguir além do necessário.

Parte 1 | Parte 2 | Parte 3

por Quintin Smith
tradução eu

— — —
pathologic41

TRUCIDANDO PATHOLOGIC

PARTE III: A ALMA

Existem dois temas que conduzem Pathologic, assim como dois tubarões de tocaia numa piscina. Por temas, refiro-me a referências que são vitais à visão do jogo, mas separadas da estrutura em si do game – algo como a influência Orwelliana de Half-Life 2, ou o imaginário cartunesco de Beyond Good and Evil. No caso de Half-Life 2, a tirania hi-tech da City 17 não afeta diretamente as suas ações. Da mesma maneira, em Beyond Good and Evil, o fato da sua nave ser restaurada por morsas não faz a menor diferença quando você tem um puzzle para resolver.

No caso de Pathologic, os dois temas são a carne e o teatro. E, na minha opinião, eles elevam o game de interessante e corajoso para algo realmente maravilhoso. Ainda que seja uma maravilha muito horrorosa.

Continuar o post

Artigo

Trucidando Pathologic, Parte 2

Se você já ouviu falar em Pathologic, provavelmente leu a série de artigos sobre o game no Rock Paper Shotgun escritos por Quintin Smith. Se não, este é o melhor texto online a respeito do game e é um dos melhores artigos já publicados no RPS, ponto final.

Publico abaixo minha tradução corrida do texto original, que é dividido em três partes. A última parte contém spoilers mais específicos da história, então fica o aviso, caso não queira prosseguir além do necessário.

Parte 1 | Parte 2 | Parte 3

por Quintin Smith
tradução eu

— — —
pathologic41

TRUCIDANDO PATHOLOGIC

PARTE II: A MENTE

Resumindo em uma única palavra, Pathologic é sombrio. E não, não do tipo “vamos fazer nossa continuação mais sombria, uma experiência mais adulta”. Tampouco é o sombrio a la ‘angústia adolescente’. Pathologic é um game infinitamente lúgubre cuja atmosfera sufoca toda a esperança. É o sombrio do tipo ‘pensionista quebrou a perna em sua cama e ninguém o descobriu até que o odor se tornou insuportável’.

Continuar o post

Artigo

Trucidando Pathologic, Parte 1

Wallpaper2 Pathologic 1280x1024

Se você já ouviu falar em Pathologic, provavelmente leu a série de artigos sobre o game no Rock Paper Shotgun escritos por Quintin Smith. Se não, este é o melhor texto online a respeito do game e é um dos melhores artigos já publicados no RPS, ponto final.

Publico abaixo minha tradução corrida do texto original, que é dividido em três partes. A última parte contém spoilers mais específicos da história, então fica o aviso, caso não queira prosseguir além do necessário.

Parte 1 | Parte 2 | Parte 3

por Quintin Smith
tradução eu

— — —

Ok.

… ok.

Vou te explicar, agora, o porquê de um FPS/RPG russo chamado Pathologic ser o melhor e mais importante game que você nunca jogou.

Esta não é minha primeira tentativa, veja bem. Existem meia dúzia de documentos de Word inacabados no meu laptop, todos eles abandonados por eu sentir que não estava conseguindo me expressar bem. Quero dizer, tem muita coisa em jogo por aqui. Minha devoção por Pathologic é tamanha que eu tatuei um símbolo dele nas minhas costas, uma coisa meio feia que não faz sentido algum para quem não tenha jogado o game. E ainda mais, Pathologic me manteve trancado no meu quarto por inúmeras horas durante a semana de integração da minha universidade. A semana dos calouros! A única e bela semana na vida de um garoto em que a sedução é tão simples quanto chegar em um bar e ESPIRRAR numa garota.

Mas já chega. Quanto mais procrastino para escrever, mais turva será a minha memória e pior será minha capacidade de fazer jus ao game. Então aí vou eu.

Este artigo será escrito em três partes. A primeira esboçará o corpo do game. A segunda parte irá focar na mente e terminaremos com a alma.

Isso soa um pouco pretensioso, mas não há o que fazer, pois esta é a única maneira de lhes mostrar o que este game me mostrou. É provável que vocês saibam apenas como tirar dos games. Mas a verdade é que a diversão começa apenas quando você deixa parte de si ser levada embora.

Você está pronto? Eu não estou. Ok, vamos prosseguir.

Continuar o post