Citação

Sobre Catelyn

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Eu queria criar uma personagem que é mãe e é forte. A representação das mulheres em fantasias épicas têm sido problemáticas já há muito tempo. Estes tipos de livros são escritos por homens, mas mulheres também os lêem, e em grandes números. As mulheres em fantasias tendem a ser muito atípicas… elas tendem a ser guerreiras ou a princesa briguenta que não aceita as ordens de seu pai, e eu tenho estes arquétipos em meus livros também. Porém, em Catelyn há algo de Eleanor de Aquitaine, a figura de uma mulher que aceitou seu papel e suas funções dentro de uma sociedade muito restrita e, ainda assim conseguiu atingir influência, poder e autoridade consideráveis apesar da sua aceitação dos riscos e limitações de tal sociedade.

— GRRM sobre Catelyn Stark

Artigo

The Onion e a violência nos games

Uma nova pesquisa contradiz estudos anteriores que indicam que video games não afetam o comportamento de crianças de forma negativa, e descobriu que jogar games faz as crianças reagirem de forma hostil e agressiva a situações do mundo real. O que você acha?

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“Para mim, a questão é: adolescentes violentos são atraídos por estes games? Caso sim, quais games e quanto eles custam? Estou tentando achar alguma coisa para o aniversário do meu filho.”
— Willi Harper, Analista de sistemas.
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“Meu filho era um garoto bravo e confuso muito antes de darmos um Xbox pra ele.”
— Marilynne Britz, Resenhista da Home Goods.
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“Posso entender se isso valer para um jogo violento e hostil como Call of Duty, mas e quanto às obras de arte mais sutis e poéticas, como Gears of War?”
— David Robertson, Organizador de jantares.

Study: Video Games Make Kids More Aggressive
* O The Onion é um site completamente satírico. Em American Voices, a questão inicial é verdadeira e as respostas são parte da piada, evidentemente.

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Sobre Arya

Arya Stark

Eu quase não quero que as pessoas continuem a gostar dela.
Isso soa realmente péssimo. Eu quero que as pessoas entendam que ela não é mais a mesma. Você não pode torcer por [Arya] para sempre, porque ela não existe para ser sua personagem preferida. Não é para isso que ela serve. Ela é verdadeira. As pessoas seguem por maus caminhos e tomam más decisões, mas tudo se justifica em suas próprias mentalidades. Eu quero que a audiência entenda esta diferença e não pense apenas: “Ai, é a Arya, nós amamos ela”. Apenas veja o que a Arya está fazendo. Ela está se estraçalhando de dentro para fora, e não está fazendo nada para evitar isso.

Maisie Williams, sobre Arya.

Artigo

Quando as resenhas se tornam Rashomon

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por Tom Auxier | original
tradução eu

Como isso acontece? Como duas publicações podem fazer resenhas diametralmente opostas?

Não falo em diferenças de opinião, “Este jogo é divertido” versus “Não gostei deste jogo”. Isso faz sentido. Não, estou falando de resenhas que soam como as diferentes perspectivas no filme Rashomon, grande clássico do Akira Kurosawa: experiências completamente diferentes da realidade, não meras opiniões contrastantes.

Quero dizer comparações como estas, das resenhas de Mario Kart 7 de Jim Sterling (Destructoid) e Justin Towell (Gamesradar):

Mario Kart 7 é o jogo mais derivativo possível… é letárgico e mundano, facilmente ultrapassado até mesmo pelas cópias da fórmula que a própria Nintendo aperfeiçoou.

(Mario Kart 7) é melhor que as versões de console desde o N64 e faz com que os outros 90% do catálogo do portátil pareçam fajutos.

E essa nem é a pior parte. Aí vai o mais frustrante:

Devo dizer que o Tanooki Tail é um tanto inútil – obstáculos são facilmente evitados e o power-up raramente aparece quando você está perto o suficiente dos outros corredores para atingi-los.

O melhor power-up é o Tanooki Tail. Mario anda meio doidão ultimamente, mas ver uma cauda sair de seu kart, balançando em um 3D gloriosamente bem animado é muito um momento “Eu amo este jogo”. Você o usa para atacar seus oponentes como um taco de baseball peludo – e até mesmo para desviar cascos de tartaruga iminentes.

Não, quer saber? Temos uma terceira comparação. Nós temos tempo para uma terceira comparação.

Rubber banding e corridas fixas ainda são parte essencial de cada pista, e a vitória novamente depende demais na sorte, com itens como a Blue Shell, que retorna para punir os jogadores que cometeram o pecado de manterem seu sucesso.

As corridas são acirradas sem serem densas ou caóticas demais, graças ao fantástico equilíbrio dos itens, que distribui power-ups apropriados dependendo do seu local no campo.

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Ok. Já está confuso? Pois você deveria. Aqui temos duas resenhas antecipadas que oferecem opiniões e experiências completamente diferentes de aspectos fundamentais do jogo. Um crítico diz que este é o jogo mais justo da série, outro diz que é o mais banal. Um ama o Tanooki Tail, enquanto o outro diz que o item não é nada prático. Um afirma que o jogo é lindamente produzido e bem acabado, o outro diz que ele é mundano e de má qualidade.

Isto nos traz ao problema com a resenha moderna. E o tal problema é a tentativa em ser objetivo.

O que temos aqui, em seu aspecto mais fundamental, é algo que vemos desde o início dos tempos: um jogador aprecia um game, o outro não. Não há nada de errado com nenhuma destas opiniões. Jim Sterling tem o direito de achar o jogo cansativo e aborrecido, assim como Justin Towell tem seu direito de considerá-lo simplesmente genial. Ambos parecem ser críticos muito honestos; não acredito que nenhum deles tenha sido “comprado” ou mesmo influenciado para ficar do lado da Nintendo. Apenas aconteceu de um deles amar o jogo, e o outro detestar.

O problema (que quase todas as resenhas têm) é o fato dos dois escritores terem expressado estas opiniões como se fossem fatos objetivos. Em vez de não gostar do jogo, ele é “letárgico, mundano e derivativo”. Os problemas são encontrados, o verniz é dilapidado e cada argumento é resgatado para justificar a nota baixa. Para Towell, é o contrário: Mario Kart 7 é bom o suficiente para fazer com que o seu jogo preferido seja ruim. Ridicula os outros jogos e ri da sua cara quando você tenta jogá-los. Ele rouba o dinheiro do lanche deles.

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Um tempo atrás, os críticos de games decidiram que deveriam ser objetivos. Por objetivos, queremos dizer que eles tinham que escrever suas resenhas da mesma forma que alguém critica um trator: “Esta parte é boa, esta parte é problemática, e aquela parte é completamente desnecessária”. Tudo a respeito do jogo precisa ser definido, porém, ao mesmo tempo, estes críticos ainda querem ser subjetivos: eles desejam garantir que seus leitores, que têm as mais variadas opiniões possíveis do mundo, podem ter outras ideias diferentes. As resenhas de games tentam combinar estas duas noções: elas tentam te informar objetivamente a respeito do jogo, mas também te deixam livre para suas próprias interpretações. Isso leva a muitos adjetivos vazios e frases insignificantes; afinal de contas, se Jim Sterling explicasse minuciosamente quão lenta foi a sensação do Mario Kart, as pessoas teriam chances de discutir minúcias com ele. Melhor dizer que é lento, com um verniz subjetivo de opinião, mas de forma tão objetiva que isso se sobressai como uma crítica confiante. É o jeito mais fácil, se não o mais informativo.

Este é o problema em se entregar a hipérboles em resenhas (eu mesmo sou muito culpado): você quer justificar a nota para o jogo, então em vez de tentar encontrar formas de se expressar conforme a estrutura do game, você se encurrala e procura pela coisa mais chamativa que poderia dizer. Um jogo bem feito mas não do seu gosto se torna um caos lento e derivativo. Um jogo ser o tipo de coisa que você quer jogar imediatamente se torna uma verdadeira obra-prima de game design que é rápido e justo. Pequenos atributos precisam ser a melhor coisa de todos os tempos porque você tem que justificar uma nota 10; o rubber banding que mantém o jogo interessante é trabalho do demônio para explicar um 5. Pêlos são procurados em ovos e adjetivos são abusados pois é mais fácil escrever assim.

O grande x da questão é a seguinte: eu super apoio resenhas subjetivas. Quero ouvir a voz do crítico, quero que eles me digam o que gostaram ou não do jogo. A diferença é que quero que as resenhas ofereçam subjetividade baseada em uma argumentação objetiva, não o contrário. Preciso saber o porquê de um crítico ter uma certa opinião subjetiva a respeito de um jogo, no lugar dos adjetivos designados para justificar uma nota.

É a loucura da resenha com data e nota para sair. Por exemplo, veja minha resenha de Rochard. Eu particularmente não gostei do jogo, e com boas razões, mas você pode até gostar, pois você é um outro jogador com gostos e desgostos completamente diferentes. Rochard pode ser o seu jogo preferido de todos os tempos. Então a questão para mim, como um crítico, é a seguinte: devo te oferecer um ponto de vista objetivo, do tipo “Este jogo é bonito, bem-feito, Jon St. John tenta ser engraçado, coisas acontecem”, ou faço o que eu fiz e lhe ofereço um ponto de vista subjetivo, dando o melhor de mim para tentar explicar porque você pode acabar detestando este jogo, mas sabendo também que você pode gostar dele?

No final das contas, opiniões subjetivas e discrepantes como estas são muito som e fúria, mas significam muito pouco. Sem uma análise aprofundada, que bem pode uma resenha trazer além de rechear o Metacritic e adicionar um número no final?

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Artigo

Adentrando Skyrim

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Comecei Skyrim na semana retrasada.

Ela é uma “dunmer”, elfa negra, personagem que considerei alienígena na medida certa para se equivaler ao meu nível de conhecimento sobre Elder Scrolls (nulo). O volume de lore para um não-iniciado é aterrorizador, e digo isso por experiência própria; eu desconsiderei com certo desdém a necessidade de me prevenir contra spoilers por se tratar de um jogo sandbox, então me lancei em um wiki para ler alguma coisa sobre o contexto de Skyrim. Três wikis depois, continuo ignorante e intimidada. Foi assim que decidi imaginar minha personagem: ela é uma forasteira viajante e solitária que não faz a menor ideia do que está acontecendo no continente – exatamente como eu me senti, já nos primeiros 5 minutos de jogo.

A sequência inicial eu já havia presenciado nos vídeos alheios, então Alayne faz o tipo resignada. Ela pode ou não ter culpa de seus atos, mas a sensação que tem é a de que tudo acontece com ela – de execuções a dragões. Mais um dia qualquer nessa vida de ladra.