Os games de 2013

Final de ano sempre traz aquela história de listas das melhores do ano. Não ouço faz muito tempo, mas a Kiss já deve estar pra terminar as suas 500+, o que é um pouco esforço demais pra mim, então claro que eu não vou chegar nesse nível. Como este ano foi um fracasso em termos de filme, leitura e cultura não-videogamística em geral (no sentido de que eu fiz muita pouca coisa cultural), só vou listar games nessa minha lista completamente arbitrária.

Há apenas dois quesitos: foi lançado oficialmente este ano, e eu o joguei por pelo menos 1 hora. Está sem ordem de preferência.

Spelunky (PC)

spelunky

Trata-se de um roguelike-like (ou procedural death labyrinth) em que você deve explorar levels, acumular dinheiro e, basicamente, sobreviver. Quando você morrer (e você vai), deve recomeçar do zero, sendo que cada um dos níveis é completamente randomizado a cada vez que você joga.

Spelunky é viciante pois as causas de morte são justas. A culpa é sua se você se jogou de um altura muito alta sem pensar, ou se calculou mal a distância na hora de matar um inimigo, ou se saiu correndo sem checar se havia alguma armadilha. A cautela e a precisão são duas das principais qualidades que Spelunky requer de seu jogador, e você vai aos poucos melhorando, o que é muito satisfatório. Este é também um game com muitos segredos dignos daqueles jogos da nossa infância, em que há levels escondidos e muitas coisas a se descobrir.

A versão para PC ganha por conta dos Daily Challenges: todo dia, o jogo cria um level idêntico disponível para todos e você tem uma única chance de percorrê-lo. Nenhum dos meus amigos do Steam joga Spelunky, então para mim nem é tão divertido checar um eu solitário nos high (na verdade low) scores. Mas mesmo assim, às vezes é interessante assistir vídeos do dia e saber como uma outra pessoa lidou com algum obstáculo.

Acho que de todos desta minha lista, este é o jogo mais tecnicamente perfeito; não há uma funcionalidade desapercebida, um detalhe que não parece ter sido analisado exaustivamente. Os seus inimigos podem ativar armadilhas sem querer e morrem quando isso acontece. Você pode até se autosacrificar sem querer se morrer e cair em cima do altar na hora certa (experiência própria). Estas narrativas emergentes tornam a jogabilidade de Spelunky ainda mais memorável e interessante.

OBS Nunca joguei com teclado e mouse, mas dizem que é ok. Eu particularmente recomendo demais um controle!
(MEU) TEMPO DE JOGO 130 horas.

Mossmouth, 2013 (versão PC).
Site oficial | Versão original gratuita | Steam (R$24,99)

Brothers — A tale of two sons (PC)

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Este ano minha lista mostra que eu dei preferência por experiências mais concisas; cada vez mais me irrito com encheção de linguiça em games, e não me importo com games curtos se eles têm a duração perfeita para apreciar sua jogabilidade ou história. Em Brothers, o impacto emocional teria sido menor caso o jogo se arrastasse por tempo demais, o que felizmente não acontece.

Você precisa jogar este jogo sem saber nada a seu respeito, então falar sobre ele é um pouco complicado. Você vai precisar de um controle, pois os personagens principais — os irmãos do título — são controlados ao mesmo tempo, meio que como um co-op de apenas um jogador. Acredite, faz mais sentido do que parece e, se no início você vai ter dificuldade para movimentar os dois, vinte minutos depois tudo fluirá muito bem.

Os puzzles são bem simples então não espere ficar preso ou frustrado em alguma parte do jogo; você jogará Brothers pela narrativa, que se desenrola sem uma única linha de diálogo. É realmente incrível.

OBS Você precisa de um controle para jogar Brothers!
(MEU) TEMPO DE JOGO 3 horas.

Starbreeze Studios & 505 Games, 2013.
Site oficial | Steam (R$24,99)

Fire Emblem: Awakening (3DS)

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Este é provavelmente o jogo mais “jogo” da minha lista. Adoro este tipo de RPG e o último deste estilo que joguei foi o Final Fantasy Tactics Advance, que zerei totalmente há muitos anos atrás. O legal deste Fire Emblem é que ele extrapola em todos os seus aspectos: a história é divertida; as cutscenes e animações de batalha são muito bem feitas; as missões não são fáceis e requerem planejamento; os personagens têm muita personalidade e charme e por isso jogar com permadeath dói de verdade.

O que mais me surpreendeu foi justamente o grupo de personagens e a enorme quantidade deles. Uma mecânica bem legal é que você pode parear dois personagens em uma batalha e o relacionamento deles vai melhorando. Se for um homem com uma mulher (meh…), eles podem se tornar um casal oficial se você aumentar a amizade deles ao máximo. Não vale a pena entrar com detalhes, mas vamos apenas dizer que a história envolve viagem no tempo e se você formou muitos casais, os filhos deles vindos do futuro podem se juntar ao seu grupo. É muita loucura, mas funciona!

Dentre os três grandes dos consoles, eu diria que é muito claro ver quem ganhou em termos de jogos. A Nintendo, é claro! O Wii U ainda é duvidoso apesar de ter tidos jogos excelentes neste ano, mas o 3DS teve uma lista de lançamentos tão incrível em 2013 que é páreo duro para qualquer console, portátil ou não. Demais!

(MEU) TEMPO DE JOGO 55 horas.

Intelligent Systems, 2013.
Site oficial

SUPLEMENTO
RESENHAS Eurogamer; Polygon
ARTIGOS Fire Emblem: M/Str8 > F/LGBT

Papers, Please (PC)

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Fiquei sabendo deste jogo quando seu desenvolvedor postava updates constantes em um fórum de games indies. Fui fisgada desde então! Papers, Please contém uma premissa intrigante e muito original: você trabalha na borda de um país pseudo-soviético anos 80 e deve atuar como fiscal de documentos, checando e cruzando as informações de passaportes, documentos, RGs etc. Isso por si só já não é tão simples: seu relógio continua rodando e você ganha por cada pessoa checada. Você pode cometer apenas dois erros por dia sem consequências, pois a partir daí receberá uma multa por cada erro cometido. Seu salário não é nada bom e no final do dia, você tem sua família para alimentar, o aluguel, o aquecimento do seu apartamento para pagar…

E basicamente, isso é tudo que há na jogabilidade de Papers, Please. É simples de entender mas a cada dia que passa as tensões entre seu país, a gloriosa nação de Arstotzka e seus vizinhos aumentam, e novos regulamentos são postos em prática. Em certo momento, você pode solicitar um scan de corpo inteiro da pessoa, invadindo completamente a privacidade alheia. Depois, você ganha acesso a uma arma para impedir terroristas e fugitivos de tentarem atravessar a borda. Além disso tudo, há várias histórias menores correndo ao mesmo tempo e você pode escolher tomar parte delas ou não. Existem diversos finais diferentes e cada dia que se passa é uma mistura entre personagens pré-determinados e passageiros completamente randomizados (você pode até ver meu nome por lá, pois me inscrevi no beta).

A arte é incrível e remete demais ao ambiente e ao estilo do jogo em questão, com um quê de sinistro na paleta de cores e no estilo do traço. A música-tema é também efetiva, e mexer a papelada na mesa com o mouse é estranhamente satisfatório, como é também carimbar um passaporte. Lucas Pope, o desenvolvedor de Papers, Please, tem um outro jogo gratuito chamado The Republia Times, também com uma premissa inusitada: lá você é o editor-chefe de um jornal e deve preencher a primeira página do jornal com as manchetes mais positivas para Republia, que é um dos países vizinhos em Papers, Please. Gostaria de ver mais jogos deste cara ambientados no mesmo universo!

(MEU) TEMPO DE JOGO 13 horas.

Lucas Pope, 2013.
Site oficial | Steam (R$16,99)

Animal Crossing: New Leaf (3DS)

AnimalCrossing

Joguei mais AC: NL do que todos os outros jogos da minha lista combinados. É difícil de explicar o porquê dele ser assim tão instigante. Já é complicado tentar explicar o que é esse jogo. Como muitos dizem, é quase impossível descrever a série Animal Crossing de uma forma que seja verdadeira e não soe como o pior jogo já concebido do universo.

Então, tendo dado dois passos para trás, vamos (tentar) seguir em frente. Em Animal Crossing: New Leaf, você acaba de se mudar para uma pacata vilazinha e é nomeado como prefeito do lugar. E é isso. Você deve aguentar seus primeiros dias em uma barraca, mas depois consegue adquirir uma casinha modesta. Depois, você finalmente pode expandir os vários cômodos e preenchê-los com todos os móveis e quinquilharias que quiser. E depois, por que não folhear tudo a ouro só porque você pode?

Animal Crossing é um jogo para os criativos. Nunca há falta do que fazer e você não é prefeito de um vilarejo abandonado: dentre a lista enorme (mais de 300) de personagens que podem popular seu lugar, dez são aleatoriamente escolhidos para fazer parte da sua cidade. Vocês trocam cartas, conversam, eles te sugerem coisas e podem até decidir se mudar para sempre, abrindo espaço para que um novo bichinho se mude em seu lugar. Isso é muito impressionante, pois ainda não vi eles repetirem falas seguidamente. Tenho três vizinhos preferidos na minha cidade chamada Karnak: Samson, um rato energético (que adora me chamar de lady-bro), Cheri, uma urso com um pouco de complexo de popularidade e Ozzie, um coala que adora descansar e levar uma vida tranquila. Parece ridículo, mas acho que ficaria chateada se um deles decidisse se mudar para sempre da minha vila.

Samson  Cheri Ozzie

Estes relacionamentos são apenas um dos muitos aspectos do jogo. Se você gosta de colecionar cacarecos vai amar Animal Crossing pois praticamente tudo pode ser colecionado. Existe um museu da cidade com fósseis, peixes e insetos a catalogar, e ainda estou para fisgar o maldito Celacanto! Como você também atua como prefeito, pode customizar ainda mais a sua experiência, pondo novas ordens em prática, aprovando construções e etc. Tudo neste jogo se passa em tempo real, então muitos eventos do nosso calendário correspondem ou possuem um símile no jogo; dia 25 de dezembro, por exemplo, é Toy Day no universo Animal Crossing. As lojas têm hora para abrir e fechar. Certos insetos só podem ser encontrados e capturados em determinada hora do dia e estação. Existem muitos acontecimentos emergentes também, ou seja, situações não necessariamente programadas para acontecer. Um exemplo mais recente foi um certo frisson em Karnak por uma camiseta magenta (três dos meus vizinhos a estavam usando), e eu ainda por cima a ganhei de presente de outro vizinho. Daí você começa imaginar as histórias que podem surgir disso: esta foi uma modinha a la Zara skort? Algum vizinho arranjou as camisetas via atacado e distribuiu em geral para todo mundo? O Samson ficou pop e por isso todo mundo decidiu usar a roupa icônica dele? Não que haja respostas, pois não há. Mas parte da diversão está em tentar fazer sentido para essas situações inusitadas e divertidas que vivem acontecendo em New Leaf.

Pode parecer fácil ficar sobrecarregado com tanta coisa para fazer, e é por isso que considero ideal jogá-lo por uma horinha ou menos por dia, apenas para checar o correio, falar com alguns vizinhos, ver o que está à venda etc. É realmente um jogo perfeito para um console portátil, e ele torna mais difícil eu trocar o cartucho por outro dos meus jogos pegando teia de aranha na prateleira…

(MEU) TEMPO DE JOGO 123 horas.

Nintendo, 2013.
Site oficial

Menções Honrosas


Kentucky Route Zero (Acts I & II) — Artisticamente impecável: escrita excelente, a construção dos visuais são um dos melhores do ano. A mecânica da viagem é interessante também. [RPS]
The Wolf Among Us: Episode 1 — Muita personalidade e estilo, o modelo Telltale de lançamentos por episódio foi aperfeiçoado ao máximo neste jogo. Melhor e mais inventivo que TWD, por conta do material original.
The Walking Dead Season 2: Episode 1 — Muitos jogos de aventura point and click na minha lista. Esse episódio conseguiu superar minhas expectativas. Recomendado para quem curtiu a temporada anterior!
Civilization V: Brave New World — A mentalidade “Só mais um turno” multiplicada por 10 horas. Divertido, complexo, e profundamente humanista e otimista.
Gone Home — Uma lição de game design em como construir e subverter as expectativas da mentalidade atual de se fazer (e jogar) games. [RPS]
Bit.Trip Runner 2 — Um jogo de precisão e compulsão pela corrida perfeita, agora com visuais muito inspirados.
The Swapper — Puzzles, reflexão e atmosfera em um dos melhores jogos do gênero dos últimos anos.

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