Video Games Asks pt. 1

Este é um meme que corre tumblrs e blogs e afins. Espere altas divagações.

1. Primeiro jogo obsessão?

O primeiro Tomb Raider. Se qualquer pessoa sã tentar jogá-lo hoje em dia, muito provavelmente:
1) vai detestar controlar a Lara, que se movimentava como um tanque humano;
2) amaldiçoará até o último descendente do level designer em certos puzzles;
3) mal vai conseguir distinguir os cenários de tão feias que as texturas eram.

Mas na época, e para mim, eu era a Lara, solitária e forte, explorando locais inóspitos e inexplorados. Não havia nada como botar um fone de ouvido e passar pelos primeiros levels, onde você transpõe cavernas e luta contra a fauna local, não capangas armados. Estes eram locais que nunca te faziam esquecer de que você não era bem-vinda, mas que podiam ser vencidos com a dose certa de curiosidade e paciência.

Eu era capaz de passar horas correndo de um lado para outro pela Croft Manor. Em um momento quase anacrônico, lembro distintivamente da forte impressão que a mansão da Lara me deixou: um lugar livre para ser explorado, e apesar de riquíssima, era uma casa relativamente normal [para os padrões dos video games da época], sem a expectativa de tiroteios ou de ação. Mais de vinte anos depois, Gone Home seria lançado e reviveria tudo isso para mim.

Lembro que passei muito tempo presa no Lost Valley, sem enxergar a pequena passagem por onde você deve avançar depois da grande cachoeira. É por isso que possuo um conhecimento quase anormal desta seção deste level e me lembro até hoje dos vários cantos sem fim deste trecho. Foram horas e mais horas. E quando finalmente consegui passar disso, descobri que haviam dinossauros no game! Eu não fazia ideia… o game até então não havia feito nenhuma propaganda explícita disso [apesar do título, Lost Valley, tornar bem óbvio]. O tiranossauro foi um momento especial de multiplayer improvisado com uma amiga: uma atirava e a outra controlava a Lara. Ambas éramos fãs absolutas de Tomb Raider e juntas derrotamos o T-Rex.

E por fim, há a trilha sonora do Nathan McCree. Até hoje ainda ouço o tema principal com frequência, que para mim é muito marcante. É uma melodia melancólica e introspectiva, com um quê de clássico e misterioso. Sinto que ela representa muito bem o primeiro game da série: certamente não é a típica trilha de ação bombástica que te deixa animado para uma luta.

O engraçado é ouvir este vídeo que compila os temas de cada Tomb Raider em ordem cronológica e dá para perceber a diferença dramática, sobretudo nos games mais recentes.

2. Um game que te influenciou criativamente, a escrever, desenhar etc.

Não acho que tomei um game em especial como referência; sempre tento transformar tudo em referência para me inspirar. Apesar de eu ter um diploma em design (atualmente soterrado por uma pilha de livros em cima da minha estante) eu não sou mais tão desenhista como costumava ser. Não tem jeito, é aquela velha história: antes de virar matéria obrigatória eu era capaz de passar horas rabiscando e desenhando. Assim que virou técnica e cadeira, puff, foi-se qualquer ambição. Com a escrita, foi o tempo e esse mundo multitaskeado que me enferrujou, mas minha vontade de refletir sobre games me fez voltar à tona. E são estes memes bobos que me inspiram agora, aos poucos.

3. Com quem você jogava quando era criança?

Quando criança eu sempre jogava video game na casa dos outros, pois eu mesma não tinha nenhum console nem jogos além de uns CDs de shareware básicos no computador. Eu era amiga de duas irmãs que tinham um Super Nintendo com vários clássicos de plataforma. Até hoje para mim o Mario 2D definitivo é o Super Mario World por conta das tardes que passávamos jogando de novo e de novo. A mais velha das duas destravou absolutamente todos os segredos sem qualquer dica ou ajuda, e ainda me lembro do caderninho que ela mantinha para fazer suas anotações.

E claro, todo mundo tem aquele primo. Quando eu era super pequena, lembro de jogarmos Bomberman juntos. Depois, vários outros do Playstation e Dreamcast. Eu adorava assistir ele jogar Resident Evil, e no Dreamcast eu gostava muito de Crazy Taxi, Sonic Adventure e Shenmue. Os três até que têm algo em comum: eram games ambientados em lugares próximos da vida real. Tá, calma: o que quero dizer é que o que mais me atraía nos três era basicamente a mesma coisa.

É lógico que Crazy Taxi, já pelo título, é insano e nada realista, mas o modo como você conduz um táxi não é algo completamente fora da realidade. Eu adoraria um revival desta série; a verdade é que eu sempre gosto bastante de jogos em que você deve cumprir tarefas e cuidar de responsabilidades mundanas que nem sempre soam divertidas (vide Papers, Please e Recettear). Nesse jogo você acaba decorando certos points mais badalados da cidade e pode até tentar seguir as regras de trânsito se quiser um pouco mais de desafio.

Shenmue dispensa comentários, pois o ponto dele é justamente ter uma cidade viva e altamente interativa. Cumprir horários marcados, jogar dados no barzinho fuleiro, comprar suco na lojinha da esquina. São essas atividades mundanas e a exploração que realmente destacaram Shenmue 1 e 2 do restante dos games da época (e talvez ainda hoje).

Vai ser um pouco mais difícil de explicar Sonic Adventure, mas na minha cabeça ainda faz sentido: o level central é uma cidade que pode ser explorada de forma mais ou menos aberta. Eu me lembro muito mais desta cidade do que de qualquer outro level mais típico do jogo: você podia circular pelo Cassino, andar no trem que te permitia acessar uma outra área, caminhar pela praia, e até mesmo atravessar o fucking bueiro que passamos quase uma hora tentando abrir e que só se revelou depois de alguma combinação mágica de botões que pressionei por engano quando já estava quase de saída da casa da minha avó.

Sei lá, para mim até que faz algum sentido.

4. Com quem você joga agora?

Ninguém. Tá, soou forever alone, mas agora acho difícil coincidir cronogramas na vida real e não tenho paciência para tentar marcar um jogo online e com desconhecidos nem pensar, a não ser em jogos da Nintendo ou similares. Além disso eu não sou fã de jogos competitivos e prefiro muito mais single player.

5. Já usou cheat codes?

Do que me lembro, usei para pular para o último confronto em Tomb Raider, depois de um momento de fraqueza. É verdade quando eu disse que fiquei horas e mais horas perdida em Lost Valley sem saber como prosseguir!

Também usei nos The Sims da vida, mas apenas quando queria construir algo específico. Eu na verdade prefiro que eles sejam relativamente pobres e não tenham tudo na vida. Admiro muito os desafios inventados pelos jogadores, como o de manter um legado ao longo de inúmeras gerações ou de inventar regras arbitrárias para tornar a vida das pessoas bem mais difícil e “realista”.

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